Audiência apura morte de mulher decapitada pelo PCC

Com reforço de segurança feito pelo batalhão de choque da Capital, foi realizada na tarde desta segunda-feira (15) a audiência da ação penal nº 0025022-23.2018.8.12.0001, que apura a morte de Joice Viana Amorim, ocorrida em 14 de maio de 2018.
O crime foi atribuído à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), que teria realizado o chamado “tribunal do crime”, julgamento realizado pela facção cujo veredicto foi a morte e decapitação da vítima. Foram denunciadas nove pessoas e, além delas, o crime teria ainda a participação de adolescentes.
Segundo a acusação, o homicídio foi cometido na residência de D.M., no bairro Jardim Santa Emília. Os denunciados E.A.de O.; I.S. de S.; M.H.J.P. e M.F.D.L. foram responsáveis pela condução da vítima até a primeira “cantoneira”, na residência do adolescente envolvido, localizada no Jardim Colorado, local em que vítima se encontrava com o morador e outros dois adolescentes.
Na ocasião, Joice percebeu que seu chinelo sumiu e o fato gerou discussão entre eles, momento em que a vítima revelou que pertencia ao Comando Vermelho, facção rival a dos adolescentes, que pertenciam ao PCC.
Diante da confissão da vítima, junto com os demais denunciados, os adolescentes dirigiram-se a primeira “cantoneira” a fim de realizar o interrogatório de Joice, para confirmar a veracidade de sua ligação com a facção rival. Nessa fase, o denunciado L.da S. foi incumbido de fazer vigilância externa da casa.
No local, os responsáveis pela condução entraram em contato, por telefone, com outros integrantes do PCC. Assim, acionaram o denunciado W. de S.S. que, utilizando um veículo Gol, na companhia de D. de S.B.; G.L.M. ; e M.H.J.P. transportaram a vítima para a segunda “cantoneira”, no bairro Santa Emília.
A participação de D.M. consistiu em ceder o imóvel para o julgamento e execução da vítima e, posteriormente auxiliou a enrolar o corpo com uma lona e colocá-lo no interior do veículo para que o cadáver fosse levado ao local da desova.
Desse modo, D. de S.B. foi responsável pela condução e execução da vítima. A função de “disciplina” era exercida pelo denunciado G.L.M. A denunciada M.H.J.P. tinha a função de gerenciar as situações da ala feminina da facção no Estado, a qual coordenou e comandou todo o “julgamento”, realizando a condução, contenção e transporte da vítima.
Os denunciados E.A. de O.; I.S. de S. e M.F.D.L. foram ocupantes da função de “disciplina”, participando da condução da vítima.
Na audiência desta tarde foram ouvidas testemunhas de acusação, entre elas, a mãe de D.M., que informou que soube da morte da vítima por um vídeo enviado para seu celular, momento em que indagou ao filho se tinha participação na morte de Joice, pois, após o ocorrido, a varanda de sua casa amanheceu lavada e pelos ladrilhos que apareciam no vídeo ela identificou que se tratava da lavanderia de sua residência.
A mãe contou ainda que após o vídeo da execução circular na imprensa local, seu filho retirou os ladrilhos e fez um desenho no lugar. Além dela, foram ouvidas outras cinco testemunhas, porém, elas negaram os fatos, inclusive, contradizendo os depoimentos que prestaram na delegacia.
Com relação a uma das testemunhas, o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida pediu o encaminhamento da cópia do seu depoimento à delegacia, a fim de apurar possível ato infracional de falso testemunho.
A próxima audiência foi designada para o dia 29 de maio, às 15 horas.

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