sexta-feira, 7 de agosto de 2026
Folha do Estado Brasil
Cultura

MIACENA 2026 ocupa São Paulo com mais de 50 atividades em espaços não convencionais

De 11 a 22 de agosto, a terceira edição da Mostra reúne teatro, dança, circo, performance, ações formativas, feira, sarau, leitura e baile

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MIACENA 2026 ocupa São Paulo com mais de 50 atividades em espaços não convencionais

 A MIACENA, Mostra Internacional de Artes Cênicas em Espaços Não Convencionais e Alternativos, realiza sua 3ª edição de 11 a 22 de agosto de 2026, em São Paulo. Ao longo de 12 dias, a programação reúne mais de 50 atividades em 19 espaços, entre apresentações de teatro, dança, circo e performance, ações formativas, feira e sarau. A abertura será com o espetáculo de dança do grupo de breaking M.O.S. (Mantendo a Origem Sempre), às 19h30, no CCBB SP. Idealizada por André Acioli e Dani Angelotti, a mostra promove o encontro entre artes cênicas e a cidade ao ocupar ruas, praças, prédios históricos, centros culturais, cafés e outros pontos da capital. Os trabalhos são concebidos ou adaptados para dialogar com a arquitetura, a memória e a circulação de cada local. A curadoria convidada da edição é formada por Celso Curi, Federico Irazábal, Malu Barsanelli e Wesley Kawaai. A edição 2026 também integrará a Jornada do Patrimônio, fortalecendo São Paulo como um território vivo de cultura, memória, inovação e intercâmbio artístico. “A programação deste ano foi concebida a partir da relação entre arte, cidade e patrimônio. Mais do que apresentar espetáculos em espaços não convencionais, queremos que cada obra dialogue com a arquitetura, a memória e a dinâmica urbana de São Paulo, transformando a cidade em parte da narrativa artística. As performances urbanas, as intervenções em edifícios históricos e as ações de dança em espaços públicos traduzem essa proposta”, afirmam André Acioli e Dani Angelotti. A programação passa pelo Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, Centro de Referência da Dança, Centro Cultural Fiesp - SESI Paulista, Instituto Brasileiro de Teatro (iBT), Biblioteca Mário de Andrade, Praça Ramos de Azevedo, Praça Roosevelt, Minhocão, Vila Itororó, Casa Farofa, Mosteiro São Bento, Capela dos Aflitos, Instituto de Arquitetos do Brasil, Hunicah Café, Secretaria Municipal de Cultura, Prefeitura de São Paulo, Complexo Cultural Oswald de Andrade e Instituto Cervantes, além de outros pontos da cidade. As ações formativas abordam sustentabilidade, formação de público em festivais, circulação em lugares não convencionais e o catálogo do Mercado MIA. A programação inclui ainda a leitura Matei Jasão, com Fabiana Cozza e Cleber Silveira e termina em 22 de agosto com atividades em seis espaços, entre elas
Baile Urbano: Uma performance participativa, no iBT.
“Os eixos formativos e de mercado ampliam a experiência para além das apresentações, ao promover
encontros entre artistas, gestores, programadores e público. Essas ações reforçam a vocação da MIACENA
de estimular novas formas de ocupação da cidade, aproximar diferentes linguagens artísticas do cotidiano
urbano e incentivar o intercâmbio entre criação, reflexão e circulação cultural”, completam os
idealizadores.
Integrada à programação da MIACENA, a MIA FEIRA (15/08, no Centro Cultural FIESP) reúne artistas,
designers, artesãos e makers que transformam criatividade em produtos autorais. A curadoria destaca
processos de criação, sustentabilidade, economia circular e inovação, valorizando o fazer manual e a
produção independente. Como um espaço de exposição, vendas e conexões, a feira aproxima criadores e
público, fortalece a economia criativa e amplia a experiência do festival para além das artes cênicas.
Destaques da programação
Criado em Nova Iorque, Anamnesis será apresentado pela primeira vez no Brasil. A performance foi
desenvolvida por Robson Catalunha no The Watermill Center, sob supervisão artística de Bob Wilson.
Situada entre a performance, a instalação, o teatro imersivo e a exposição viva, a obra investiga os
mecanismos pelos quais determinados corpos são observados, classificados e expostos pela sociedade. A
criação estabelece relações entre humano e animal, realidade e ficção, liberdade e confinamento, além
de abordar questões ligadas à biotecnologia, à inteligência artificial e às novas formas de controle da vida.
Em La Gravedad de las Burbujas, de Buenos Aires, sete personagens vivem quatro histórias simultâneas
dentro de uma mesma casa, uma hora antes de um grande apagão. Amizade, casamento, sexo e vocação
conduzem as narrativas, que acontecem em diferentes ambientes, mas ocupam o mesmo espaço cênico.
Cabe ao espectador escolher onde concentrar o olhar e construir sua própria leitura sobre os vínculos e
conflitos apresentados.
De Natal, no Rio Grande do Norte, a S.E.M. Cia. de Teatro apresenta Um Depoimento Real, criado a partir
de um processo de pesquisa e intercâmbio entre Brasil e Argentina. A montagem reúne a atuação do
brasileiro José Neto Barbosa, a direção da argentina Monina Bonelli e a dramaturgia de Paola Traczuk,
também argentina. O espetáculo aborda os silenciamentos relacionados à violência contra crianças e
propõe uma experiência que combina atuação, desenho e conversa com o público.
Do Amazonas, o grupo Panorando apresenta Aboio: O Auto do Boi Cansado, montagem que parte das
tradições do Boi-Bumbá e do Bumba-meu-Boi para discutir trabalho, exaustão e sobrevivência. Na
história, cansado do ciclo de festas e rituais, o Boi decide tirar férias, mas sua ausência ameaça a
continuidade da celebração. A obra reúne referências do Boi Falô, da vaquejada e de outras manifestações
da cultura popular para questionar as forças que exigem o retorno do personagem.

Do Rio de Janeiro, Clínica do Encantamento, da Fábrica de Sonhos Produções, é uma performance
relacional que convida os transeuntes a avaliar sua capacidade de se relacionar com os pequenos
acontecimentos do cotidiano. Utilizando objetos e instrumentos poéticos, dois performers conversam
com cada participante e elaboram, em conjunto, a prescrição de uma atividade a ser realizada durante a
semana. Os registros dessas ações passam a integrar um arquivo coletivo que acompanha o trabalho pelas
cidades onde é apresentado.
Também do Rio de Janeiro, em Carangueja, uma mulher de origem e tempo desconhecidos é atravessada
por vozes que surgem de seu próprio corpo. Enquanto tenta compreender o que acontece, ela passa por
uma metamorfose que a coloca no limite entre o humano e o crustáceo. A partir do manguezal, o solo
com texto e atuação de Tereza Seiblitz aborda diferentes formas de ser mulher e temas como
maternidade, gênero, antropocentrismo e desigualdade social.
De Santos, no litoral paulista, a Cia. PlastikOnírica combina boneco híbrido, objetos e kamishibai (teatro
de papel) em Memórias d’Omar. Sem texto falado, o espetáculo acompanha um velho pescador em um
barco sobre rodas que funciona como cenário e suporte para pequenas cenas. O público escolhe objetos
que acionam histórias inspiradas em poemas de autores santistas e em referências ligadas ao mar, à
passagem do tempo e à memória caiçara. Criada para espaços públicos e pequenos grupos de
espectadores, a montagem utiliza sons, música e imagens para estabelecer uma relação direta com os
espectadores.
De São Paulo, a Zózima Trupe apresenta TrabalhaDORES, ópera marginal criada a partir de pesquisa e
escuta com motoristas, cobradores e passageiros de ônibus. Com encenação e dramaturgia de Anderson
Maurício, o espetáculo homenageia os trabalhadores que mantiveram a cidade em movimento durante
a pandemia e aborda questões como desigualdade social, transporte público, memória e luto. A
montagem acontece dentro do ônibus da companhia e combina teatro, música ao vivo, canto lírico,
percussão e projeções de vídeo. Na MIACENA, o público embarca na Praça Roosevelt para uma
apresentação em trânsito pela cidade.
O Núcleo Teatro de Imersão apresenta Traição, montagem em que o público circula por quatro ambientes
para acompanhar um triângulo amoroso entre moradores de um mesmo condomínio nos anos 1960.
Adaptado da obra de Harold Pinter por Adriana Câmara e dirigido por Glau Gurgel, o espetáculo elimina
a separação entre palco e plateia e envolve os espectadores nos cenários, nas sonoridades e nos
acontecimentos da trama. A história é contada em cronologia invertida, começando após o fim do
relacionamento e retornando ao momento em que ele teve início. O trabalho integrou a seleção ZESCAR,
na categoria Melhor Direção, e foi indicado ao Prêmio Arcanjo na categoria Teatro Contemporâneo.
A Cia. Base transforma a arquitetura urbana em espaço para dança e circo em Corpo Graffiti. Bailarinas
aéreas e acrobatas se movimentam vertical e horizontalmente em fachadas de edifícios, criando
coreografias que dialogam com as linhas, formas e dimensões das construções. Concebido e dirigido por

Cristiano Cimino, o espetáculo investiga a presença do corpo feminino na cidade e sua ocupação de
estruturas tradicionalmente inacessíveis. Na MIACENA, a apresentação acontece no prédio da Prefeitura.
Indicada ao Prêmio APCA 2024 na categoria Projeto/Difusão, Fantasias Brasileiras recupera a história do
Balé IV Centenário, criado em 1954 para as comemorações dos 400 anos da capital paulista. Com
concepção e direção de Renan Marcondes, cinco artistas recriam quatro coreografias do antigo repertório
em versões concebidas para as ruas. As apresentações são acompanhadas por locuções e mediações que
contextualizam o balé e discutem suas inovações, contradições e estereótipos.
Da Cia. Os Crespos, coletivo de São Paulo criado em 2005, Sonhos parte da frase “Eu tenho um sonho”,
associada a Martin Luther King Jr., para discutir direitos, identidade negra, moradia e liberdade. Os
personagens compartilham seus desejos e distribuem pães doces ao público, que também é convidado a
revelar suas expectativas para o futuro. Com direção e dramaturgia de Lucelia Sergio, o trabalho propõe
o sonho como exercício coletivo de transformação e mobilização. A companhia desenvolve pesquisas
cênicas e audiovisuais relacionadas à negritude, ao racismo e à identidade.
Do Grupo XIX de Teatro, coletivo de São Paulo criado em 2001, Hysteria acompanha cinco mulheres
internadas como “histéricas” em um hospício feminino no final do século XIX. O espetáculo separa
homens e mulheres na plateia e convida o público feminino a interagir com as atrizes, construindo uma
dramaturgia que combina improvisação e textos previamente elaborados. Desde 2001, o grupo
desenvolve uma pesquisa autoral baseada na criação colaborativa, na ocupação de espaços não
convencionais e na relação direta com o público.
Do Núcleo Inverso de Teatro, Shangri-lá, uma distopia tecnobrega imagina um Brasil futurista comandado
por um rei autoritário. A trama acompanha frequentadores de um bar e karaokê que tentam libertar um
amigo preso injustamente. Escrita e dirigida por André Sun, a montagem combina o teatro de rua
brasileiro com referências do Topeng, dança dramática de máscaras balinesa, e da Ópera de Pequim,
tendo o brega como matriz musical e visual.
De Franco da Rocha, na Região Metropolitana de São Paulo, a Trupe Trapaceiros reúne circo e música em
Forró Circense. Ao som de sanfona, voz e percussão, artistas apresentam números de contorção,
malabarismo, equilíbrio, tecido aéreo, trapézio, bambolê e roda Cyr. A montagem coloca o protagonismo
feminino no centro do picadeiro e reúne artistas circenses, palhaças e musicistas em diferentes
modalidades.
A Cia. Bendita utiliza a estrutura das fábulas para discutir educação e as relações entre adultos e crianças,
fortes e fracos, passado e presente em Elagalinha. Escrita e dirigida por Marcelo Romagnoli, a história
acompanha uma galinha de seis anos que é presa por um monstro quando vai à escola pela primeira vez.
A jaula se transforma em sala de aula, enquanto dois críticos comentam os acontecimentos em uma
narrativa paralela.

Criada por Roberto Alencar, Incunábula reúne o artista e Renata Aspesi no interior de dois grandes
tecidos desenhados à mão. Ao compartilharem a mesma estrutura, os intérpretes precisam negociar cada
movimento, alterando continuamente o equilíbrio, as imagens e as formas produzidas pelas malhas.
Concebida para praças, escadarias, galerias e áreas de convivência, a performance não utiliza palco,
iluminação ou trilha sonora. A arquitetura, os ruídos do entorno e a circulação das pessoas passam a
integrar a obra.
Em Escola Modelo, os performers Pedro Granato e Letícia Calvosa cruzam suas experiências pessoais para
discutir racismo estrutural, privilégios e ações afirmativas no campo da educação. Com dramaturgia de
Bruno Lourenço e direção de Fernando Vilela, a montagem utiliza elementos de uma sala de aula e
recursos da contação de histórias para abordar a política de cotas, a resistência às medidas de inclusão e
a necessidade de mudanças no ambiente escolar. A encenação parte de referências do teatro épico de
Bertolt Brecht, expõe ao público seus mecanismos e convida os espectadores a participar da reflexão
proposta pela obra.
A atividade formativa Produzir o improvável: a criação teatral em espaços não convencionais reúne
Antônio Araújo, do Teatro da Vertigem, e Ricardo Karman, do Centro da Terra, para discutir a criação de
obras em igrejas, prédios, ruas e outros territórios. A partir de suas experiências, os convidados abordam
os desafios e as estratégias envolvidos na ocupação desses espaços e as relações entre produção, cidade
e dramaturgia. A mediação será de Federico Irazábal, do FIBA, Festival Internacional de Buenos Aires, e
Bernardo Galegale.
Histórico
A primeira edição da MIACENA aconteceu em setembro de 2024 e reuniu 90 artistas em mais de 30
apresentações nacionais e internacionais. A programação contou ainda com 24 palestrantes e 15
expositores. A edição gerou mais de 200 empregos e atraiu um público de 10 mil pessoas.
A edição 2025 da MIACENA reuniu mais de 40 apresentações nacionais e internacionais, ocupando ruas,
praças, museus, bares e espaços culturais do centro histórico de São Paulo. A mostra recebeu artistas de
cinco estados brasileiros e projetos de Portugal, Argentina e França, além de promover ações formativas,
debates sobre Cultura Circular e atividades de economia criativa.
Serviço:
MIACENA, Mostra Internacional de Artes Cênicas em Espaços Não Convencionais e Alternativos
De 11 a 22 de agosto de 2026
Programação completa e mais informações no site www.miacena.com
Instagram: @miacena_br
Informações para imprensa

Adriana Balsanelli
Tel.: (11) 99245-4138
imprensa@adrianabalsanelli.com.br
Renato Fernandes
Tel.: (11) 97286-6703
renato.fernandesgon@gmail.com

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