“Quando a dor do povo é silenciada pela música alta” em Mato Grosso do Sul.

Em um estado onde faltam remédios, onde pacientes aguardam até dois anos por uma cirurgia e onde famílias perdem entes queridos por falta de atendimento, é impossível não se entristecer ao ver o governo gastar R$ 450 mil por apenas uma hora de show na capital. Esse valor, pago à cantora Luísa Sonza — talento inegável da música pop nacional — representa muito mais do que um contrato artístico. Representa a escolha do governo: o espetáculo em vez do hospital. O último hospital construído em Campo Grande foi entregue em 1997, ainda na gestão de Pedro Pedrossian. De lá para cá, com o crescimento populacional e econômico do estado, esperava-se evolução — mas a única constante parece ser a manutenção precária e um sistema de saúde que desmorona enquanto as filas aumentam. A nova temporada do projeto “MS Ao Vivo” leva artistas de renome ao Parque das Nações Indígenas com entrada gratuita, prometendo cultura e lazer à população. E sim, o estado precisa de cultura. A arte liberta, inspira, une. Mas quando hospitais estão lotados, quando a espera por um exame pode significar a diferença entre a vida e a morte, não há como celebrar de óculos escuros para não enxergar a dor do outro. A população de Mato Grosso do Sul não quer escolher entre saúde e cultura. Quer dignidade. E dignidade começa quando os investimentos refletem as reais prioridades de um povo que sofre calado nas filas da saúde, enquanto a música toca alto demais para ouvir seus gritos. R$ 1.252.000.00 em 2024.
Entidade alvo da PF por fraude no INSS contratou filho de Lewandowski

Associação na mira da PF contratou escritório de advocacia do filho do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para manter acordo no INSS Uma das entidades investigadas pela Polícia Federal (PF) por envolvimento no bilionário esquema de fraude nos descontos sobre aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) contratou o escritório do filho do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, quatro meses antes da operação deflagrada na última quarta-feira (23). Em 2 de dezembro de 2024, o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap) acertou a contratação do escritório do advogado Enrique Lewandowski e de outras duas bancas de advocacia com o objetivo de “representar institucionalmente a associação” junto a vários órgãos federais “de forma a assegurar a manutenção do ACT (Acordo de Cooperação Técnica)”, que é o convênio com o INSS que permite os descontos de mensalidade associativa de aposentados e pensionistas. Entre os órgãos listados no contrato, está a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), pasta vinculada ao ministério comandado por Lewandowski, assim como a própria Polícia Federal. A Senacon tem como principal objetivo proteger os direitos dos consumidores e a prerrogativa de aplicar multas milionárias a entidades que cometem infrações ao Código de Defesa do Consumidor. Além do órgão vinculado ao Ministério da Justiça, são citados no contrato atuação junto ao próprio INSS, à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Tribunal de Contas da União (TCU), órgãos que começaram a investigar fraudes nos descontos a partir de dezembro de 2023, quando o Metrópoles publicou as primeiras reportagens revelando o esquema dos descontos indevidos. Por meio de nota, a assessoria do ministro Lewandowski afirmou que “não há, nem houve, nenhuma atuação do referido escritório no âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública”. Já o advogado Enrique Lewandowski afirmou, por meio de sua assessoria, que o documento obtido pela reportagem “diz respeito a uma proposta de prestação de serviços na área do direito administrativo ao Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap)” e que “não contempla atuação na esfera criminal”. “Esclarece, ainda, que jamais atuou em nenhum processo no âmbito do Ministério da Justiça e Segurança Pública”, completa. De acordo com o contrato, o valor dos honorários advocatícios ficou definido em R$ 200 mil por mês, sendo R$ 50 mil para o escritório do filho de Lewandowski, por um período de 12 meses, totalizando R$ 600 mil em um ano. O contrato prevê atuação “no atendimento consultivo às fiscalizações demandadas pelos órgão reguladores dos ACTs” e “assessoria jurídica consultiva para evitar a desabilitação da cliente [Cebap] dos quadros do INSS como entidade autorizada a realizar descontos de mensalidades de seus associados, sempre em âmbito administrativo”. “Para tanto, iremos participar de reuniões com as diferentes autoridades públicas que possam tratar da referida habilitação, incluindo, mas não se limitando ao INSS, à Senacon, à CGU, ao TCU e a outros para apresentação, realização de diagnóstico e entendimento do estágio atual da relação da entidade com os órgãos”, afirma o contrato. No dia da operação da PF, o ministro Ricardo Lewandowski convocou coletiva de imprensa em Brasília para explicar o escopo da investigação, que cumpriu 211 mandados de busca e apreensão e seis de prisão por desvio de dinheiro de aposentados que podem chegar a R$ 6,3 bilhões. O Cebap foi um dos alvos da operação — sofreu busca e apreensão em seu escritório na capital paulista. Na última sexta-feira (25/4), o Ministério da Previdência decidiu suspender todos os acordos de cooperação em vigor e prometeu devolver o dinheiro descontado dos aposentados e pensionistas no mês de abril. Já a devolução dos descontos não reconhecidos pelos beneficiários realizados antes do mês passado, diz a pasta, “serão avaliados por grupo da Advocacia-Geral da União (AGU) que tratará do tema”.Ministro da Justiça / BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

