Campo Grande, 4 de junho de 2026

Sob a Luz das Estrelas: A Empresa que Nasceu da Visão de Oswaldo Possari

A trajetória da família Possari no setor de transportes é marcada pela combinação rara de coragem, visão e união entre gerações. Em julho de 1977, movido por sua paixão pelos astros, Oswaldo Possari escolheu o nome Cruzeiro do Sul para o novo empreendimento. Inspirou-se na constelação que guiou viajantes ao longo da história, acrescentando ao símbolo sete estrelas — uma representação da própria família: ele, a esposa Oseli e os cinco filhos. O emblema, enriquecido pelo yin e yang, refletia o desejo de equilíbrio e prosperidade para o projeto que estava apenas começando.

A vocação para o transporte vinha de longe. No interior paulista, o pai e o avô de Oswaldo iniciaram uma pequena atividade levando encomendas entre cidades, que mais tarde daria origem à antiga Viação Jales. Foi nesse ambiente que Oswaldo aprendeu a conduzir caminhões e ônibus e a lidar com o trabalho duro desde os 14 anos. Aos 17, já assumia responsabilidades de adulto, tornando-se arrimo da família.

Convencido de que havia espaço para crescer no então Mato Grosso, mudou-se para a região em busca de novas oportunidades. Segundo os filhos, Oswaldo sempre preferia o caminho “mais difícil de trilhar, porém mais fértil para vencer”. Anos mais tarde, com a empresa consolidada, ele ainda encontraria tempo para servir à vida pública: foi vice-prefeito de Campo Grande entre 1997 e 2005. Faleceu em 2022, aos 75 anos, deixando um legado que hoje se estende à quinta geração da família.

A presença da família e o papel de Cesinha

Entre os membros que seguem conduzindo o negócio está Osvaldo César Possari, carinhosamente chamado de Cesinha. Filho mais velho do fundador, cresceu acompanhando o pai em viagens, embarcando nos desafios e aprendizados da estrada. Essa vivência o moldou e fez dele uma figura essencial na continuidade da empresa.

Conhecido por seu estilo sereno e atento, Cesinha se destaca pelo profundo conhecimento operacional e pelo compromisso em preservar os valores construídos pelo pai. Para colaboradores, parceiros e familiares, ele representa confiança e equilíbrio — alguém que enxerga o negócio de dentro, porque já viveu cada etapa da trajetória da Cruzeiro do Sul. Sua presença na diretoria ajuda a unir tradição e modernidade, garantindo que a empresa siga firme sem perder sua essência familiar.

Ao lado dele, outros seis integrantes da família compõem o conselho — entre eles o neto Caio Possari e o genro Márcio Zanon, diretor de logística. A companhia emprega cerca de 620 funcionários diretamente e 900 indiretamente, mantendo viva a mesma dedicação que marcou seus fundadores.

Desafios da estrada e expansão

Os primeiros anos foram marcados por desafios severos. Estradas precárias obrigavam motoristas a carregar enxadão, pá e facão para conseguir avançar em trechos quase intransitáveis, tanto no interior quanto em áreas de Campo Grande na década de 1990. Mesmo diante das dificuldades, a expansão no Estado aconteceu rapidamente. Após decidirem ampliar a atuação, em apenas uma semana a Cruzeiro do Sul já marcava presença em diferentes pontos de Mato Grosso do Sul, adaptando a frota e improvisando quando necessário — como retirar bancos de ônibus para transformá-los em veículos de carga.

A empresa também guarda histórias curiosas, como motoristas que precisavam esperar bezerros nascer no meio da estrada ou o canto do galo para desatolar os veículos em regiões apelidadas de “Vaca Parida” e “Canta Galo”.

Evolução e novos horizontes

Nos anos 2000, o fundador ainda encontrou espaço para investir na pecuária, área pela qual tinha grande apreço e onde chegou a ser reconhecido por avanços em inseminação bovina.

Hoje, com bases sólidas e uma gestão que une experiência e renovação, a Cruzeiro do Sul vive um ciclo de expansão. Além da atuação consolidada no Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso, já está presente no Paraná e Santa Catarina, e prepara sua entrada em Goiás, Distrito Federal e Rio Grande do Sul.

A história da empresa — e da família Possari — segue sendo escrita com o mesmo espírito pioneiro que acompanhou Oswaldo desde a juventude. Uma história de trabalho, superação e unidade, refletida em cada nova etapa desse legado familiar.

Leia também!