Campo Grande, 4 de junho de 2026

Casos de dengue aumentam em Mato Grosso do Sul apesar do avanço da vacinação

Mesmo com o avanço da vacinação contra a dengue, Mato Grosso do Sul vive um cenário preocupante diante do aumento de casos da doença. Dados recentes mostram que, embora o estado tenha recebido 241.030 doses do imunizante enviadas pelo Ministério da Saúde, apenas 201.633 doses foram aplicadas até o momento no público-alvo. O esquema vacinal contra a dengue prevê duas doses, com intervalo de três meses entre elas, o que significa que parte da população ainda não completou o ciclo necessário para garantir a proteção adequada. Além disso, a vacinação está restrita a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, 11 meses e 29 dias, faixa etária definida por concentrar o maior número de internações pela doença entre crianças e adolescentes de 6 a 16 anos. Especialistas alertam que a vacina, apesar de ser uma ferramenta fundamental no combate à dengue, não elimina sozinha o risco de surtos. A imunização não tem efeito imediato e não alcança toda a população, o que reforça a necessidade de manter medidas preventivas, como o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. O aumento dos casos acende um sinal de alerta para as autoridades de saúde e para a população. A eliminação de focos de água parada, o uso de repelentes e a atenção aos sintomas continuam sendo essenciais, especialmente em períodos de maior circulação do vírus. A Secretaria de Saúde reforça a importância de que pais e responsáveis levem crianças e adolescentes dentro da faixa etária indicada para receber as duas doses da vacina, garantindo maior proteção individual e ajudando a reduzir a pressão sobre o sistema de saúde. Enquanto isso, o enfrentamento à dengue segue sendo um desafio coletivo, que depende tanto da vacinação quanto da prevenção diária.

Prefeitura de Bonito investiga possíveis irregularidades em vouchers turísticos e isenções da taxa ambiental

A Prefeitura de Bonito abriu uma apuração para verificar possíveis irregularidades na emissão de vouchers de passeios turísticos que podem ter impactado a arrecadação da Taxa de Conservação Ambiental (TCA), cobrada de visitantes que ingressam no município. A investigação está sob responsabilidade da Fiscalização Tributária Municipal e envolve desde falhas cadastrais até indícios de uso indevido de isenções previstas em lei. De acordo com a administração municipal, agências de turismo que atuam em Bonito serão oficialmente notificadas para prestar esclarecimentos. Caso sejam confirmadas irregularidades, poderão ser adotadas medidas administrativas e jurídicas, conforme prevê a legislação. Taxa de Conservação Ambiental A Taxa de Conservação Ambiental passou a ser cobrada em 20 de dezembro de 2025, com base em lei municipal. Segundo a prefeitura, os recursos arrecadados são destinados a ações de preservação ambiental, manutenção de atrativos naturais e apoio à infraestrutura turística, fundamentais para a sustentabilidade de um dos principais polos de ecoturismo do Brasil. O valor da taxa é de R$ 15 por visitante, considerado pela prefeitura um dos mais baixos do país. Em outros destinos turísticos, como Bombinhas (SC), a cobrança pode ultrapassar R$ 190, enquanto em cidades da Bahia os valores variam entre R$ 70 e R$ 90. Conforme o decreto municipal, a taxa deve ser paga por visitantes brasileiros e estrangeiros. Estão isentos da cobrança crianças menores de sete anos, moradores de Bonito, além de trabalhadores e prestadores de serviço que exercem atividades no município. Desde a implantação da taxa, entidades ligadas ao setor turístico têm questionado a legalidade da cobrança. Em dezembro de 2025, associações que representam agências, hotéis e guias ingressaram com mandado de segurança na Justiça. No entanto, até o momento, não houve decisão suspendendo a cobrança, e o processo segue em tramitação regular na Vara de Bonito. Indícios de irregularidades Durante o período de discussão judicial, a fiscalização municipal identificou problemas na aplicação prática da TCA. Um levantamento realizado no sistema “Turista por Natureza” apontou que 5.663 visitantes teriam sido cadastrados de forma irregular como isentos da taxa. A isenção é permitida exclusivamente para moradores de Bonito, mediante comprovação de residência. Entretanto, segundo a prefeitura, foram encontrados registros que indicavam endereço no município, mas com CPFs e números de telefone vinculados a outros estados, o que levanta suspeitas de informações inconsistentes ou falsas. Para a administração municipal, o fornecimento de dados incompatíveis com a realidade caracteriza uma irregularidade grave e pode configurar fraude. Notificação das agências A Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico informou que todas as agências de turismo da cidade serão notificadas. A partir do recebimento do comunicado, os responsáveis terão prazo de cinco dias para apresentar justificativas e documentos que comprovem a regularidade dos vouchers emitidos. A prefeitura reforça que a fiscalização segue critérios legais e destaca que não compactua com práticas que comprometam a transparência, a arrecadação pública e a preservação ambiental do município.