Campo Grande, 4 de junho de 2026
Local, Brasília, DF, Brasil, 25/5/2015 Foto: Andre Borges/Agência Brasília Descrição da legenda.

Após quase três décadas abrigado no PSDB, o ex-governador Reinaldo Azambuja tenta consolidar seu espaço no PL de Mato Grosso do Sul. No entanto, o que parecia uma transição estratégica começa a se revelar um campo minado político dentro da própria legenda.

A ida de Azambuja ao PL ocorreu sob articulação nacional ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que buscava fortalecer a sigla em Mato Grosso do Sul. O acordo incluía, nos bastidores, a possibilidade de uma candidatura ao Senado. O problema é que o cenário mudou — e a resistência interna cresceu.

Disputa interna e promessa múltipla

O PL sul-mato-grossense vive hoje um impasse. Bolsonaro sinalizou compromisso com Gianni Nogueira, vice-prefeita de Dourados, que teve sua pré-candidatura referendada publicamente.

Além disso, o partido recebeu o reforço de Capitão Renan Contar, ex-deputado estadual mais votado da história do Estado e candidato ao governo em 2022, que retornou à sigla com promessa de disputar o Senado. Contar, inclusive, foi opositor declarado da gestão Azambuja quando este comandava o Executivo estadual.

Nos bastidores, o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, teria assegurado apoio à candidatura de Contar. O que se desenha é um cenário de compromissos múltiplos para a mesma vaga — um conflito inevitável.

Rejeição da ala “raiz”

O principal obstáculo para Azambuja não está fora, mas dentro do próprio partido. A ala bolsonarista considerada “raiz” resiste à sua consolidação como representante legítimo da direita conservadora.

Parte significativa da militância vê com desconfiança a migração tardia do ex-tucano. Para esse núcleo duro, o histórico no PSDB — partido que em âmbito nacional se posicionou diversas vezes contra Bolsonaro — pesa politicamente.

A narrativa de que pesquisas quantitativas e qualitativas definirão o candidato também é vista com cautela. Fontes internas indicam que levantamentos podem apontar outro nome mais alinhado ideologicamente ao eleitorado conservador.

Cenário externo competitivo

O embate não se limita à disputa interna. O PL enfrentará nomes já consolidados e pré-candidatos competitivos, como:

  • Nelsinho Trad (PSD)
  • Soraya Thronicke (Podemos)
  • Gerson Claro (PP)
  • Vander Loubet (PT)

O ambiente é de fragmentação e disputa intensa pela hegemonia da direita no Estado.

Capital político em xeque

A grande questão é se Azambuja conseguirá transformar estrutura partidária em capital eleitoral. Controlar a máquina do partido é diferente de conquistar a militância e o eleitorado ideológico.

Enquanto Capitão Contar afirma ter sido convidado pessoalmente por Bolsonaro para o projeto de Senado, Gianni Nogueira sustenta que o compromisso firmado pelo ex-presidente deve ser respeitado.

Azambuja, por sua vez, reafirma que o acordo inicial permanece intacto e que foi chamado para fortalecer o partido e organizar a direita sul-mato-grossense.

O problema é que, no atual cenário, fortalecer o partido pode significar abrir mão do protagonismo pessoal.

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