Campo Grande, 24 de julho de 2026

Só a Capinha: asfalto milionário da Agesul vira farelo antes da inauguração oficial

Só a Capinha: asfalto milionário da Agesul se desfaz antes da inauguração e vira alvo de críticas

Por Redação – Folha do Estado Brasil

Depois de mais de quatro anos de espera, milhões de reais investidos e sucessivos anúncios do Governo de Mato Grosso do Sul, a pavimentação da MS-276, entre Batayporã e Nova Andradina, passou a chamar atenção não pela qualidade da obra, mas pelos problemas apresentados antes mesmo de sua inauguração oficial.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram que a camada asfáltica começou a se esfarelar poucos dias após a liberação do tráfego. As imagens rapidamente repercutiram entre moradores, motoristas e lideranças políticas da região, reacendendo o debate sobre a qualidade das obras públicas executadas com recursos estaduais.

O trecho, com 5,92 quilômetros de extensão, recebeu investimento estimado em aproximadamente R$ 28 milhões, valor superior ao previsto originalmente no processo licitatório. O edital lançado em 2022 previa investimento de cerca de R$ 19,5 milhões, mas aditivos contratuais elevaram significativamente o custo da obra.

Muito investimento, pouca durabilidade?

A principal pergunta feita por quem acompanha o caso é inevitável: como um asfalto recém-construído começa a apresentar desgaste antes mesmo da inauguração?

Embora ainda não exista manifestação técnica definitiva sobre as causas do problema, especialistas costumam apontar que falhas de pavimentação podem estar relacionadas à qualidade dos materiais empregados, ao processo executivo, às condições climáticas durante a aplicação ou ao controle tecnológico realizado ao longo da obra.

Independentemente da origem do defeito, o episódio coloca em evidência a necessidade de fiscalização rigorosa em contratos públicos financiados com dinheiro do contribuinte.

Coincidência ou conflito de interesses?

Outro aspecto que chama atenção é a trajetória profissional do atual presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), Gil Márcio Franco.

Documentos públicos já divulgados mostram que, durante parte da execução do contrato, ele possuía procuração para representar a empresa responsável pela obra em atos administrativos relacionados ao empreendimento. Posteriormente, passou a ocupar cargo de direção na Agesul e, em maio deste ano, assumiu a presidência da autarquia estadual.

Embora não haja, até o momento, qualquer decisão apontando irregularidade em sua atuação, a situação desperta questionamentos sobre a transparência na gestão e reforça a importância de que todas as etapas da fiscalização sejam amplamente esclarecidas à sociedade.

Pressa para entregar?

Moradores da região lembram que, no dia 26 de junho, durante agenda oficial em Batayporã, o governador Eduardo Riedel vistoriou o trecho, gesto que foi interpretado por parte da população como uma espécie de entrega simbólica da obra.

Pouco tempo depois, surgiram as primeiras imagens mostrando o pavimento se desmanchando.

Nas redes sociais, usuários passaram a associar o problema à pressa em liberar a rodovia antes do período eleitoral. Até o momento, porém, não existe conclusão técnica que confirme essa hipótese.

A conta é sempre do contribuinte

Quando uma obra pública apresenta defeitos logo após sua execução, surge outra preocupação: quem arca com o prejuízo?

A legislação prevê que empresas contratadas respondam por eventuais falhas durante o período de garantia, cabendo ao órgão contratante exigir os reparos necessários sem novos custos para o Estado.

Por isso, a expectativa agora é de que a Agesul realize inspeções técnicas detalhadas, identifique as causas do problema e, caso sejam constatados vícios construtivos, determine imediatamente a recuperação integral do trecho.

Transparência e responsabilidade

Mais do que um problema localizado, o episódio reforça a necessidade de transparência na gestão dos recursos públicos.

Obras de infraestrutura representam investimentos milionários financiados pela população e devem oferecer segurança, durabilidade e qualidade compatíveis com os valores empregados.

A sociedade espera respostas objetivas:

  • O pavimento já foi oficialmente recebido pelo Estado?
  • O trecho passou por todos os ensaios de controle tecnológico previstos em contrato?
  • Quais providências serão adotadas para corrigir os defeitos?
  • A empresa executora será responsabilizada caso sejam confirmadas falhas na execução?

Enquanto essas respostas não chegam, as imagens do asfalto se desfazendo continuam circulando nas redes sociais e alimentando uma crítica que ganhou força entre os moradores da região.

Afinal, para muitos, a impressão deixada é de que o investimento milionário garantiu apenas uma boa aparência superficial — uma obra que, na expressão popular, ficou “só na capinha”.

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