Campo Grande, 21 de junho de 2026

Governo Lula faz “pente-fino” entre aliados após derrota da MP do IOF

Brasília (Folha do Estado do Brasil) – A recente derrota do governo na Câmara dos Deputados, com a rejeição da Medida Provisória do IOF (MP 1.303/2025), acendeu um alerta vermelho no Palácio do Planalto. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou um verdadeiro “pente-fino” nas estruturas federais, revisando cargos de confiança e indicações políticas de aliados considerados infiéis ou omissos na votação.

Segundo apuração exclusiva da Folha do Estado do Brasil, ao menos sete exonerações já foram confirmadas desde o início da semana, atingindo cargos ocupados por apadrinhados de partidos do Centrão, como PP, PL, PSD e MDB. O movimento, segundo interlocutores do governo, é uma tentativa de “reorganizar a base” e evitar novas derrotas no Congresso Nacional.

A MP que abriu a crise

A MP do IOF tinha como objetivo ampliar a arrecadação federal em cerca de R$ 17 bilhões até 2026, por meio de ajustes tributários sobre operações financeiras, apostas esportivas e plataformas digitais de pagamento. O texto, no entanto, foi derrubado pela Câmara em meio a forte resistência da própria base governista, que reclamou da falta de diálogo e de compensações políticas.

Fontes do Ministério da Fazenda afirmam que o impacto da derrubada será significativo, comprometendo parte do equilíbrio fiscal previsto para o próximo ano. O ministro Fernando Haddad tenta agora costurar alternativas de compensação, enquanto Lula busca recompor apoio político com líderes partidários.

Caça às “indicações infiéis”

O recado do Planalto foi direto: quem não ajuda, perde espaço. As exonerações começaram por cargos estratégicos em autarquias e empresas públicas. Entre os atingidos, estão indicados na Caixa Econômica Federal, DNIT e superintendências estaduais de ministérios, principalmente no Paraná, Maranhão e Roraima.

A ação, segundo fontes da Casa Civil, faz parte de um plano maior de reestruturação interna, que visa “garantir fidelidade nas próximas votações”. Lula teria determinado uma revisão completa das indicações feitas por partidos que não demonstraram compromisso com a agenda econômica do governo.

Reações e bastidores

Internamente, a derrota da MP foi interpretada como um duro golpe político. Em pronunciamento, Lula afirmou que a rejeição “não foi uma derrota do governo, mas do povo brasileiro”, alfinetando deputados aliados que teriam votado contra o texto.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, também reagiu com críticas à base: “Não dá para governar com quem não cumpre acordo. O governo precisa saber com quem pode contar”, disse.

Nos bastidores, líderes do Centrão afirmam que o governo “errou na condução política” e que as demissões podem aumentar o clima de tensão. “Não se recompõe base com revanchismo”, declarou um deputado do PP sob reserva à reportagem.

O que vem pela frente

O “pente-fino” ainda não terminou. Fontes palacianas afirmam que novas mudanças estão sendo avaliadas em secretarias nacionais e cargos de segundo escalão. O Planalto também deve promover uma reunião ampliada no próximo dia 15 de outubro, com ministros e líderes partidários, para redefinir estratégias de articulação política e financeira.

Enquanto isso, o Ministério da Fazenda trabalha em uma nova proposta de tributação sobre fintechs e apostas eletrônicas, tida como “plano B” para compensar a perda de arrecadação com a queda da MP do IOF.

Avaliação política

Analistas ouvidos pela Folha do Estado do Brasil afirmam que o episódio marca uma nova fase do governo Lula, mais centralizadora e com menor tolerância à dissidência. A estratégia é reforçar o controle político sobre cargos federais, reduzindo a influência do Centrão em áreas sensíveis.

Mas o risco é elevado: o endurecimento pode gerar novas rupturas e desgastes no Congresso, num momento em que o governo tenta aprovar projetos de impacto econômico e social.

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