A concentração excessiva de decisões estratégicas no Governo do Estado voltou a ser alvo de críticas após novas informações obtidas pelo Jornal Folha do Estado Brasil. A reportagem procurou o secretário estadual de Comunicação para esclarecer os critérios relacionados às contratações de mídia e à definição de veículos contemplados em programas governamentais. Em resposta, o secretário afirmou que tais decisões não estão sob sua alçada, atribuindo a responsabilidade a instâncias superiores.
A declaração, longe de esclarecer, acabou reforçando a percepção de que há uma centralização anormal de poder dentro da administração estadual. Para observadores políticos e servidores ouvidos sob reserva, o fato de o próprio titular da Comunicação não deter autonomia sobre contratos e definições estratégicas evidencia um modelo de gestão verticalizado, com decisões concentradas fora da estrutura formal das secretarias.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que essa centralização estaria ligada à influência contínua de Sérgio de Paula, que, mesmo após assumir recentemente uma vaga como conselheiro no Tribunal de Contas do Estado, segue sendo apontado como figura central nas deliberações políticas e administrativas do Executivo. A percepção interna é de que seu poder de decisão permanece ativo, inclusive em áreas sensíveis, como a comunicação institucional e a relação com veículos de imprensa.
Relatos de fontes ligadas ao governo indicam ainda que esse modelo tem sido acompanhado por perseguições veladas a desafetos políticos, com isolamento de servidores, exclusão de espaços decisórios e restrições indiretas a atores considerados críticos ou não alinhados. Embora essas práticas não apareçam em atos formais, a repetição dos relatos aponta para um ambiente de receio e autocensura dentro da própria máquina pública.
Outro ponto que agrava o cenário é o volume de recursos públicos destinados à mídia, considerado elevado por analistas e concentrado em poucos grupos. A ausência de critérios públicos claros, somada à centralização das decisões, levanta questionamentos sobre a real finalidade desses gastos e sobre a utilização da verba institucional como instrumento de controle político e blindagem governamental.
O acúmulo dessas situações expõe uma contradição institucional sensível: a permanência de influência política direta por parte de um conselheiro do Tribunal de Contas, cargo que exige independência, imparcialidade e distanciamento do Executivo. Para críticos, a sobreposição entre poder político e função de controle fragiliza a credibilidade das instituições e compromete os princípios da administração pública.
Até o momento, nem o Governo do Estado nem o Tribunal de Contas se manifestaram oficialmente sobre a centralização das decisões, as denúncias de perseguição política ou os critérios de distribuição dos recursos de comunicação. O silêncio institucional, agora somado à admissão de falta de autonomia por parte do próprio secretário de Comunicação, aprofunda as dúvidas e reforça a percepção de que o poder real no Estado está concentrado fora das estruturas oficialmente responsáveis.
Por: Wander Lopes







