A tão aguardada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar as irregularidades do Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, terminou como tantas outras na história política brasileira: em uma boa pizza acompanhada de um bom vinho, mas sem qualquer resultado efetivo para a população.
Enquanto os parlamentares encerram a CPI em clima amistoso e discursos protocolares, os ônibus seguem em estado lastimável. Veículos velhos, sucateados e sem manutenção mínima quebram com frequência pelas vias da capital, deixando trabalhadores, estudantes e idosos literalmente a pé — sem transporte, sem explicação e sem respeito.
A cada dia, aumenta a revolta dos usuários diante do descaso com o transporte público, que mais parece uma herança de ferro-velho do que um serviço essencial. A frota, envelhecida e deficiente, coloca em risco a segurança de motoristas e passageiros. O consórcio, por sua vez, segue amparado por decisões que pouco ou nada refletem o interesse público.
Prova disso é a mais recente decisão judicial em favor do Consórcio Guaicurus. Em meio a uma grave crise financeira e a um serviço prestado em condições precárias, o consórcio recebeu uma boa notícia do Poder Judiciário: decisão de primeira instância determinou que o município cumpra sentença já transitada em julgado que eleva a tarifa técnica para R$ 7,79.
A decisão, assinada pelo juiz Marcelo Andrade Campos Silva, da 4ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos, dá prazo de 30 dias para manifestação da Prefeitura de Campo Grande. O aumento coloca ainda mais pressão sobre o poder público, já que tanto a Prefeitura quanto o Governo do Estado — que subsidiam a operação — estão inadimplentes no pagamento do subsídio.
Ou seja, além de ônibus velhos e quebrados, a população pode se preparar para ver o custo do transporte subir novamente, enquanto a CPI que prometia soluções terminou, literalmente, em pizza.
No fim, o que se vê é o mesmo roteiro de sempre: poder público omisso, consórcio beneficiado e o cidadão pagando a conta — seja no bolso, seja no ponto de ônibus, esperando por um coletivo que talvez nem chegue.
Matéria exclusiva — Folha do Estado do Brasil
Por Wander Lopes







