Nova introdução
Durante a viagem ao Panamá, onde participa hoje e amanhã do Fórum Econômico Internacional da América Latina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve usar o tempo a bordo para tratar de articulações eleitorais estratégicas com dois de seus principais auxiliares: a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).
De acordo com informações apuradas pelo Correio do Estado, ambos foram convidados por Lula para integrar a comitiva presidencial nesta que é a primeira agenda internacional do ano. A expectativa é de que o presidente aproveite o deslocamento para discutir a definição do palanque eleitoral em São Paulo, considerado decisivo para o projeto de reeleição ao Palácio do Planalto.
Nos bastidores, Lula tem assumido papel ativo na construção das alianças estaduais, com o objetivo de, ao menos, repetir o desempenho obtido nas urnas em 2022. A prioridade tem sido consolidar candidaturas competitivas nos grandes colégios eleitorais, sobretudo nas regiões Sudeste e Sul, sem perder de vista o Nordeste, onde tradicionalmente registra votações expressivas.
Aliados próximos relatam que o presidente está convencido de que Fernando Haddad reúne as melhores condições para disputar o governo paulista e pretende insistir para que o ministro aceite a candidatura. Haddad, no entanto, tem sinalizado resistência à ideia de voltar ao embate eleitoral neste momento.
Paralelamente, Lula avalia diferentes cenários para fortalecer a chapa em São Paulo. Uma das hipóteses em análise envolve estimular o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) a concorrer a uma vaga no Senado. Outra alternativa considerada como ideal por interlocutores do Planalto seria a formação de uma coligação com Simone Tebet e a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Rede), disputando as duas vagas ao Senado.
Engenharia política
Nesse desenho, Alckmin permaneceria como vice na chapa presidencial, enquanto Marina Silva teria de deixar a Rede para se filiar ao PT. Já Simone Tebet precisaria promover mudanças mais complexas: transferir o domicílio eleitoral de Mato Grosso do Sul para São Paulo e trocar o MDB pelo PSB, uma vez que seu atual partido deve apoiar a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do bolsonarismo.
A eventual mudança partidária não é simples. Tebet está no MDB há 27 anos, mantém relação próxima com o presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, e tem uma trajetória familiar ligada ao partido — seu pai, Ramez Tebet, foi senador, presidente do Senado e governador de Mato Grosso do Sul pela legenda.
Apesar disso, pessoas próximas à ministra admitem que uma troca não está totalmente descartada. Embora ela rejeite a possibilidade de filiação ao PT, o PSB surge como alternativa considerada viável no atual cenário político.
Na semana passada, o Correio do Estado revelou que Simone Tebet deve ter, ainda neste mês, uma conversa reservada com o presidente Lula para definir seu futuro eleitoral. A ministra também nutre o projeto de disputar uma vaga no Senado por Mato Grosso do Sul, onde aparece tecnicamente empatada com Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL) e Nelsinho Trad (PSD), segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), divulgado em 10 de dezembro.
O pedido de diálogo partiu do próprio presidente durante encontro entre os dois no fim do mês passado, em Foz do Iguaçu (PR), durante a Cúpula do Mercosul. Na viagem de retorno a Brasília, Lula e Tebet estavam no mesmo voo e acertaram que a conversa sobre as eleições ocorreria em momento oportuno — o que deve se concretizar agora, na viagem ao Panamá.
Caso Haddad confirme a decisão de não disputar o governo paulista, o nome de Simone Tebet também passa a ser considerado como alternativa para enfrentar Tarcísio de Freitas, que deve tentar a reeleição. No entendimento de dirigentes do PT, a ministra tem capacidade de dialogar com eleitores que não tradicionalmente votam no partido, além de reunir atributos como boa performance em debates, projeção nacional e atuação em uma pasta estratégica do governo.
Em 2022, Simone Tebet obteve 1.625.596 votos válidos no estado de São Paulo na disputa pela Presidência da República, desempenho que reforça seu peso eleitoral no maior colégio do país.







