Selvíria (MS) — Uma nutricionista concursada da Prefeitura de Selvíria firmou dois contratos que somam R$ 1,9 milhão com o próprio município, em menos de um mês após abrir uma clínica médica. A empresa, registrada em nome da profissional, funcionava em um imóvel abandonado, sem estrutura para atendimento, e o local chegou a ser alvo de operação policial.
A Clínica Médica Guadalupe Ltda. (CNPJ 54.014.625/0001-31) foi aberta em 22 de fevereiro de 2024, com capital social declarado de R$ 20 mil. Apenas 21 dias depois, conquistou um contrato no valor de R$ 1.450.000,00, por inexigibilidade de licitação, para prestar serviços de transferência de pacientes em situação de urgência e emergência.
Menos de um mês após o primeiro contrato, a nutricionista Aruany Velozo Piemonte de Oliveira, responsável pela clínica, assinou outro acordo, no valor de R$ 450.535,20, para atuar como plantonista nas unidades de saúde municipais, das 19h às 7h, de segunda a sexta-feira.
Com os dois contratos, a empresa recém-criada já havia acumulado R$ 1,9 milhão em compromissos com a administração pública local em apenas dois meses de existência. No entanto, o endereço cadastrado como sede da clínica — uma construção abandonada — não apresentava qualquer indício de funcionamento médico.
Os contratos vigoraram até março de 2025 e não foram renovados. Ainda assim, conforme o Portal da Transparência de Selvíria, resta R$ 1.658.957,20 a liquidar — valores já reservados para pagamento à nutricionista.
Pouco depois do encerramento dos contratos, Aruany foi nomeada como servidora efetiva da prefeitura, após aprovação em primeiro lugar em concurso público municipal. Ela tomou posse no dia 7 de março de 2025, menos de uma semana após o fim dos contratos milionários, e atualmente recebe salário de R$ 5.463,73, segundo dados oficiais.
O caso levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e irregularidades em contratações públicas, já que a profissional passou a ocupar cargo efetivo no mesmo órgão com o qual mantinha vínculos contratuais de alto valor poucos meses antes. Autoridades locais ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o episódio.







