Campo Grande, 5 de junho de 2026

Radares, multas automáticas e retorno dos parquímetros afastam moradores e deterioram o comércio no centro de Campo Grande

A ampliação dos radares em Campo Grande reacendeu o debate sobre o caráter arrecadatório do sistema de trânsito da Capital. Os equipamentos, que agora identificam automaticamente veículos com documentação atrasada, têm multiplicado o número de multas emitidas e criado um ambiente de constante insegurança entre motoristas. Para muitos, a cidade se transformou em um campo minado eletrônico.

A situação, que já era preocupante, ganhou ainda mais tensão após a recente decisão judicial que autorizou o retorno dos antigos parquímetros no centro da cidade. A medida, recebida com forte rejeição pela população, reacende a cobrança por estacionamento em uma região já marcada pela queda de movimento e sensação de abandono. Comerciantes afirmam que essa decisão agrava o cenário e afasta ainda mais os clientes.

Moradores relatam que, para evitar multas e novas cobranças, têm preferido comprar exclusivamente nos bairros onde residem, priorizando mercados e pequenas lojas locais. Muitos dizem abertamente que evitam ir ao centro para não correr o risco de voltar para casa com uma infração — seja por velocidade, documentação atrasada ou estacionamento.

O resultado é visível: o comércio central, que já sofria com a redução do fluxo de clientes, vem se deteriorando de maneira acelerada. Lojas antes tradicionais enfrentam dificuldades para manter as portas abertas, e empresários apontam que a combinação de radares, fiscalização intensa e a volta dos parquímetros é devastadora para a economia local.

Além disso, permanecem as críticas à falta de diálogo por parte da administração municipal. A população reclama da ausência de campanhas educativas, da implantação dos radares sem debate público e da presença constante de agentes de trânsito em pontos estratégicos e pouco visíveis. A percepção é de que, enquanto o município amplia mecanismos de punição automática, questões como sinalização adequada e infraestrutura continuam relegadas a segundo plano.

Com multas frequentes, cobranças adicionais e um clima permanente de vigilância, cidadãos e comerciantes concluem que o centro de Campo Grande caminha para um esvaziamento ainda maior, caso nenhuma mudança de postura seja adotada.

Apesar da arrecadação milionária com multas de trânsito em Campo Grande, a cidade ainda convive com ruas deterioradas, enquanto moradores relatam sentir-se pressionados diante do grande volume de autuações registradas.

A expectativa agora é que a prefeitura reabra o diálogo, reveja decisões impopulares e priorize ações que fortaleçam a economia local, sem transformar o coração da Capital em uma região que os moradores evitam a qualquer custo.

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