Mato Grosso do Sul enfrenta em 2026 um cenário extremamente preocupante no combate à violência contra a mulher. Dados atualizados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul revelam que, em apenas 75 dias, o Estado já contabiliza sete feminicídios consumados e 27 tentativas de feminicídio, consolidando este início de ano como um dos períodos mais violentos já registrados para mulheres sul-mato-grossenses.
Segundo os números oficiais, desde 1º de janeiro até a primeira quinzena de março, uma mulher sofreu tentativa de assassinato a cada 72 horas em Mato Grosso do Sul. O levantamento mostra que foram 8 casos em janeiro, 10 em fevereiro e 9 apenas nas primeiras semanas de março, evidenciando uma escalada contínua da violência doméstica e de gênero.
A comparação com anos anteriores agrava ainda mais o alerta. No mesmo período de 2025, haviam sido registradas 14 tentativas de feminicídio, praticamente metade do total atual. Em 2024, o primeiro trimestre somou 19 casos, também abaixo do número atual. Apenas 2023 apresentou índice superior, com 41 tentativas nos primeiros 90 dias do ano.
Além das tentativas de feminicídio, o Estado já acumula 4.378 registros de violência doméstica em 2026, número que demonstra a permanência de agressões físicas, psicológicas, patrimoniais, morais e sexuais contra mulheres em ambiente familiar ou em relações afetivas.
Especialistas apontam que o crescimento dos números reforça a necessidade urgente de fortalecimento das políticas públicas de prevenção, proteção e acolhimento às vítimas, além do endurecimento no acompanhamento de agressores reincidentes.
Casos recentes têm gerado forte repercussão em várias regiões do Estado. Entre os feminicídios registrados neste ano, há ocorrências em municípios como Três Lagoas, Corumbá, Coxim, Anastácio e Paranhos, envolvendo companheiros, ex-companheiros e até familiares próximos como autores dos crimes.
O cenário reforça um debate urgente: o feminicídio continua sendo uma das faces mais cruéis da violência estrutural contra a mulher no Brasil, exigindo ação permanente do poder público, do sistema de justiça e da sociedade.







