Campo Grande, 5 de junho de 2026

Receita de Campo Grande cresce 4,3%, mas vereadores cobram melhora nos serviços

A Prefeitura de Campo Grande arrecadou R$ 1,28 bilhão entre janeiro e abril deste ano, aumento de 4,32% em comparação com o mesmo período de 2025. Os números foram apresentados nesta sexta-feira (29), durante audiência pública de prestação de contas realizada na Câmara Municipal. Apesar do crescimento da receita, vereadores cobraram melhorias nos serviços públicos e questionaram os impactos da reforma administrativa e das medidas de contenção de despesas.

Os dados foram apresentados pelo secretário municipal de Fazenda, Isaac José de Araújo. Segundo o balanço, a arrecadação com IPTU somou R$ 367,1 milhões no primeiro quadrimestre, alta de apenas 0,34% em relação ao ano anterior. Já a receita obtida com ISS chegou a R$ 239,1 milhões, crescimento de 6,34%.

Durante a audiência, parlamentares criticaram a situação de áreas consideradas prioritárias pela população. A vereadora Luiza Ribeiro afirmou que moradores seguem reclamando de problemas como buracos nas ruas, falta de medicamentos e demora no atendimento em unidades de saúde. Ela também questionou o impacto do reajuste do IPTU diante da arrecadação considerada estável.

O vereador Ronilço Guerreiro também cobrou mais efetividade na aplicação dos recursos públicos. Segundo ele, o aumento das receitas não tem sido percebido pela população nos serviços de zeladoria urbana e atendimento na saúde. O parlamentar pediu maior atenção ao orçamento destinado à cultura.

Os gastos com pessoal aumentaram 15% em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado. Atualmente, o comprometimento da receita corrente líquida com folha de pagamento está em 53,9%, acima do limite prudencial previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que é de 51,3%. O secretário afirmou que reajustes salariais e despesas obrigatórias pressionam o orçamento municipal.

Na saúde, os investimentos representam 22,8% das receitas, acima do mínimo constitucional de 15%. Já a educação recebeu 19,25% dos recursos do Tesouro Municipal, percentual ainda abaixo do mínimo obrigatório de 25%, que deverá ser alcançado até o fim do exercício. O secretário afirmou que a previsão da prefeitura é ampliar os investimentos em saúde para 29% até o encerramento do ano.

Os vereadores também discutiram atrasos em contratos com fornecedores, principalmente na área da saúde. O vereador Otávio Trad alertou para riscos relacionados à suspensão de pagamentos de insumos e medicamentos. Isaac Araújo reconheceu a existência de débitos e disse que a prefeitura negocia cronogramas para regularizar os pagamentos.

Outro tema debatido foi o repasse estadual de ICMS para Campo Grande. O valor transferido ao município permaneceu em R$ 174 milhões no primeiro quadrimestre, sem crescimento em relação ao mesmo período de 2025. Já os repasses de IPVA tiveram aumento de 7,9%, totalizando R$ 176,6 milhões.

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