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Mato Grosso do Sul vive um dos períodos mais intensos no enfrentamento à criminalidade organizada dos últimos anos. Com operações quase diárias, reforço do policiamento ostensivo e ações de inteligência, as forças de segurança do Estado têm ampliado a pressão sobre facções criminosas, especialmente em regiões de fronteira e corredores estratégicos do tráfico internacional de drogas e armas.
Levantamento realizado a partir de dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) revela que, apenas nos primeiros cinco meses de 2026, o Estado já registrou 56 mortes decorrentes de intervenção legal de agentes do Estado, categoria que engloba os óbitos ocorridos em confrontos com as forças policiais. O número já corresponde a 76,7% de todos os casos registrados durante o ano de 2025, quando foram contabilizadas 73 mortes nessa modalidade.
O cenário evidencia uma intensificação das operações policiais e também a maior resistência de grupos criminosos às abordagens realizadas pelas equipes de segurança. Segundo a Sejusp, grande parte dos confrontos ocorre durante cumprimento de mandados judiciais, perseguições ou abordagens em que suspeitos reagem armados à ação policial.
Campo Grande lidera ocorrências
A capital sul-mato-grossense aparece como a região com maior número de confrontos registrados neste ano. Bairros das regiões sul e oeste têm sido palco frequente de operações do Batalhão de Choque, da Polícia Militar e da Polícia Civil, principalmente em ações voltadas ao combate ao tráfico de drogas e à captura de criminosos considerados de alta periculosidade.
Em maio deste ano, por exemplo, dois suspeitos morreram após confronto com policiais militares no Jardim Itamaracá, em Campo Grande. Na ocasião, a corporação informou que os homens reagiram à abordagem efetuando disparos contra a equipe policial, que revidou. O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil e pela Perícia Científica.
Além da capital, municípios como Coxim, Rio Verde de Mato Grosso, Dourados e Ponta Porã têm registrado aumento nas operações e confrontos, sobretudo em razão da disputa territorial entre organizações criminosas e do avanço de facções em áreas consideradas estratégicas para o tráfico internacional.
Fronteira sob vigilância
A localização geográfica de Mato Grosso do Sul é apontada por especialistas como um dos principais fatores que influenciam a dinâmica da criminalidade no Estado. Com extensa faixa de fronteira com o Paraguai e a Bolívia, a região tornou-se rota importante para o tráfico de drogas, armas e contrabando.
Nos últimos meses, as forças de segurança intensificaram operações integradas com foco no enfraquecimento das estruturas financeiras e operacionais das facções. A chamada Operação Leviatã, conduzida pela Polícia Civil, teve como objetivo combater a expansão do Comando Vermelho no Estado, resultando em prisões, apreensões e confrontos com investigados.
Operações reforçam presença policial
Paralelamente às ações de repressão ao crime organizado, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul vem ampliando operações ostensivas em todo o território estadual.
Na 25ª edição da Operação Força Total, realizada em março deste ano, foram mobilizados mais de mil policiais militares e centenas de viaturas. As ações resultaram em mais de três mil abordagens, dezenas de prisões em flagrante, cumprimento de mandados judiciais, apreensão de drogas e armas de fogo.
Já na 26ª edição da mesma operação, realizada em abril, a PMMS reforçou o policiamento em diversas regiões do Estado, integrando uma mobilização nacional voltada ao combate à criminalidade e ao fortalecimento da sensação de segurança da população.
Debate sobre segurança pública
Apesar do aumento recente dos confrontos, Mato Grosso do Sul apresentou redução da letalidade policial nos últimos anos. Dados do Ministério da Justiça indicam que o Estado reduziu em 31,4% as mortes decorrentes de intervenção policial em 2025, na comparação com 2024, consolidando uma tendência de queda observada anteriormente.
Ainda assim, o crescimento registrado em 2026 reacende o debate sobre os desafios enfrentados pelas forças de segurança e sobre a necessidade de investimentos permanentes em inteligência, tecnologia e prevenção.
Entre a pressão exercida pelas facções criminosas e a resposta cada vez mais intensa do aparato policial, Mato Grosso do Sul vive um momento decisivo na luta contra o crime organizado. O resultado dessa batalha terá reflexos diretos não apenas nos indicadores de segurança pública, mas também na sensação de tranquilidade e confiança da população sul-mato-grossense.
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