Campo Grande, 14 de julho de 2026

Feminicídio em Mato Grosso do Sul: uma tragédia que exige resposta firme do Estado e da sociedade

Mato Grosso do Sul continua enfrentando um dos mais graves desafios na área da segurança pública e dos direitos humanos: o feminicídio. Embora o Estado tenha se destacado nacionalmente por iniciativas como a Casa da Mulher Brasileira e por mecanismos de monitoramento da violência contra a mulher, os números demonstram que a violência de gênero ainda faz vítimas de forma recorrente.

Dados do Monitor da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS), apontam que os casos de violência doméstica permanecem em níveis elevados, refletindo uma realidade preocupante em todo o território sul-mato-grossense. Apenas nos primeiros meses de 2026, milhares de ocorrências de violência doméstica foram registradas, evidenciando que muitas mulheres continuam vivendo sob constante ameaça.

O feminicídio representa a forma mais extrema dessa violência. Na maioria dos casos, os autores são companheiros ou ex-companheiros das vítimas, e os crimes costumam ser precedidos por agressões físicas, psicológicas, ameaças e perseguições. Especialistas alertam que muitos desses assassinatos poderiam ser evitados caso os primeiros sinais de violência recebessem uma resposta rápida e eficaz das instituições responsáveis.

Casos recentes registrados em Mato Grosso do Sul reacenderam o debate sobre a efetividade das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. Em diversas situações, as vítimas chegaram a procurar ajuda, registrar boletins de ocorrência e solicitar proteção judicial, mas acabaram assassinadas antes que as medidas fossem suficientes para impedir a ação dos agressores. O caso da jornalista Vanessa Ricarte, ocorrido em Campo Grande, tornou-se um dos símbolos dessa discussão e impulsionou cobranças por mudanças no sistema de proteção às mulheres.

Além do fortalecimento das ações policiais, especialistas defendem investimentos permanentes em políticas públicas voltadas à prevenção, educação e acolhimento das vítimas. Entre as principais medidas apontadas estão a ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, o fortalecimento da Casa da Mulher Brasileira, maior fiscalização do cumprimento das medidas protetivas, monitoramento eletrônico de agressores de alto risco e campanhas educativas voltadas ao combate à cultura da violência contra a mulher.

Outro aspecto que preocupa as autoridades é que o feminicídio deixa consequências que ultrapassam a perda da vítima. Filhos ficam órfãos, famílias são destruídas e comunidades inteiras convivem com os impactos emocionais e sociais provocados por esses crimes.

O combate ao feminicídio exige atuação integrada entre Poder Judiciário, Ministério Público, forças de segurança, assistência social, saúde, educação e sociedade civil. Mais do que punir os autores, é fundamental impedir que a violência evolua até seu desfecho mais cruel.

Enquanto mulheres continuarem sendo mortas por razões de gênero, Mato Grosso do Sul e o Brasil terão o desafio permanente de transformar leis em proteção efetiva, garantindo que denúncias sejam tratadas com rapidez, rigor e eficiência. O enfrentamento ao feminicídio não depende apenas do Estado, mas do compromisso coletivo de romper o ciclo da violência, incentivar as denúncias e proteger vidas antes que seja tarde demais.

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