Campo Grande, 5 de junho de 2026

Governo de MS alerta para riscos de canetas emagrecedoras irregulares

Com o aumento dos casos de obesidade e a circulação irregular de canetas emagrecedoras — muitas vezes trazidas clandestinamente pela região de fronteira —, a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES) reforça que o tratamento deve seguir diretrizes clínicas reconhecidas. Produtos sem registro e controle sanitário podem oferecer riscos severos à saúde.

A Cvisa (Coordenação de Vigilância Sanitária Estadual) alerta que versões manipuladas, importadas sem prescrição ou vendidas em clínicas e redes sociais não passam por controle de qualidade e podem conter impurezas, toxinas ou até bactérias. O uso desses medicamentos irregulares representa risco grave e pode ocasionar reações adversas, intoxicações e até morte.

“Essas canetas importadas sem registro na Anvisa não têm qualquer garantia de eficácia e segurança. É fundamental que a população procure orientação médica e evite medicamentos de origem duvidosa. O enfrentamento da obesidade depende de informação, acompanhamento e hábitos saudáveis, não de promessas rápidas”, afirmou o farmacêutico da Vigilância Sanitária Estadual, Alexandre Tutes. Denúncias podem ser feitas diretamente à Vigilância Sanitária.

Cenário da obesidade no Estado

A obesidade é uma das condições crônicas mais presentes na Atenção Primária à Saúde (APS). O excesso de peso está associado a doenças como diabetes, hipertensão e alguns tipos de câncer, que representam grande parte dos atendimentos no SUS.

Dados do Ministério da Saúde mostram que a obesidade no Brasil cresceu 72% em 13 anos — de 11,8% em 2006 para 24,3% em 2023. Em Mato Grosso do Sul, informações do SISVAN (2024) apontam que, entre 432.773 pessoas avaliadas, 32,76% apresentaram sobrepeso e 39,41% algum grau de obesidade, enquanto apenas 25,94% estavam com IMC adequado.

Ações do Estado

Como parte da estratégia de enfrentamento, a SES publicou em 2024 a Linha de Cuidado do Sobrepeso e Obesidade (LCSO), que organiza e fortalece o atendimento às pessoas com excesso de peso. A LCSO está sendo implementada de forma gradual nos municípios, integrando diferentes níveis de atenção e ampliando o acesso a ações de prevenção, promoção da saúde e tratamento.

As chamadas canetas “emagrecedoras” ainda não foram incorporadas ao SUS devido ao alto impacto financeiro, conforme o Ministério da Saúde.

A SES reforça que o tratamento da obesidade deve ser acompanhado por profissionais habilitados e seguir protocolos reconhecidos. Medicamentos sem registro, manipulados em grande escala ou vendidos sem prescrição são considerados ilegais pela Anvisa e colocam em risco a saúde da população.

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