Campo Grande, 22 de junho de 2026

Incêndio em Angélica devasta mais de 3 mil hectares e gera investigação

O Ministério Pública está investigando a responsabilidade de uma empresa no incêndio de grandes proporções que atingiu mais de 3.397 hectares em Angélica em agosto, e provocou danos ambientais em áreas de canaviais, pastagens e vegetação nativa.

O fogo teve origem durante operação de colheita de cana-de-açúcar em fazenda administrada por uma usina do município.

O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) aplicou multa de R$ 12 milhões à empresa e notificou a apresentação de um Projeto de Recuperação de Área Degradada (Prada). O levantamento apontou que 282,945 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reservas Legais (RL) foram destruídos, além de 3.108,734 hectares de área agropastoril e 6 hectares de floresta cultivada.

Laudo técnico do Imasul indicou que o fogo começou no mesmo local onde uma colheitadeira foi encontrada queimada. A propagação das chamas foi rápida e alcançou diversas propriedades vizinhas, apesar da atuação de brigadas de incêndio.

O Núcleo de Georreferenciamento do Comando de Policiamento Ambiental (CPAmb) utilizou imagens de satélite e análise de focos de calor para confirmar o ponto de origem do incêndio. O fogo se manteve ativo por dois dias.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou inquérito civil para apurar a responsabilidade da usina e requisitou à Delegacia de Polícia de Angélica a abertura de inquérito policial. O objetivo é investigar a prática de crimes ambientais previstos no artigo 41 da Lei de Crimes Ambientais, que trata de incêndios em matas ou florestas.

O procedimento busca reunir provas técnicas, periciais e testemunhais que possam embasar eventual Ação Civil Pública. A medida pode resultar na responsabilização da empresa e na reparação integral dos danos ambientais, considerados de interesse coletivo.

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