UNITAS 2025, realizada nos EUA, reuniu militares de 25 países no maior e mais antigo exercício marítimo multinacional do planeta
Na 66ª edição da Operação UNITAS, encerrada nesta segunda-feira (6), a Marinha do Brasil realizou testes práticos de cibersegurança e de sistemas avançados de armas ao lado de 25 países. Cerca de 300 militares brasileiros embarcaram na Fragata Independência, acompanhados por um helicóptero Super Lynx e um destacamento de Mergulhadores de Combate. O grupo participou de exercícios que incluíram testes de comunicações e disparos reais de munição, durante as fases em porto e em mar, iniciadas na Base Naval de Mayport, nos Estados Unidos, no dia 15 de setembro.
A participação brasileira no exercício militar foca principalmente em dois aspectos estratégicos. O primeiro é a defesa cibernética e a proteção das comunicações navais. A Força Marítima do Brasil informou ao R7 que, na operação, foi possível “observar Marinhas trabalhando para tornar as comunicações entre os navios mais resilientes às interferências externas, por meio de soluções tecnológicas que, no futuro, poderão ser replicadas no Brasil com tecnologia da indústria nacional.” O segundo aspecto envolve testes com sistemas de armas e emprego de munição real em cenários que simulam guerra de superfície, guerra antissubmarino e operações anfíbias.
Para Isadora Brizola, socióloga pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em geopolítica, a inclusão de módulos de cibersegurança na UNITAS 2025 representa uma mudança estrutural na doutrina naval. Ela afirma que “a guerra cibernética está se tornando um elemento central na defesa e dissuasão marítima. Com navios, submarinos, sensores, radares e sistemas de comunicação cada vez mais integrados a redes digitais, cresce a vulnerabilidade a ataques que não utilizam força física, mas que podem comprometer operações críticas.”
Segundo Brizola, a capacidade de paralisar ou degradar sistemas adversários por meios cibernéticos abre uma nova frente de dissuasão estratégica, de baixo custo e alta eficácia, mas que enfrenta desafios técnicos, operacionais e jurídicos. “Em tempos de patrulhamento contínuo, falhas cibernéticas podem ter impacto estratégico semelhante à perda física de uma embarcação”, alerta a especialista, destacando que a guerra naval moderna depende tanto da resiliência digital quanto do poder de fogo convencional.







