A Prefeitura de Campo Grande deu início a uma das medidas mais drásticas já adotadas no sistema de transporte coletivo da Capital ao decretar intervenção na concessão operada pelo Consórcio Guaicurus. A decisão transfere temporariamente ao município o comando da operação dos ônibus urbanos, com prazo inicial de até 180 dias.
Com a medida, uma equipe interventora nomeada pelo Executivo passa a administrar diretamente o serviço, assumindo funções estratégicas que até então estavam sob responsabilidade do consórcio. Embora a concessionária continue vinculada formalmente ao contrato, perde o poder de gestão durante o período de intervenção.
A decisão ocorre após meses de questionamentos envolvendo a qualidade do transporte público, reclamações de usuários, apontamentos sobre o envelhecimento da frota, falhas operacionais e discussões judiciais relacionadas ao cumprimento das obrigações contratuais. Relatórios técnicos e procedimentos administrativos conduzidos pelo município serviram de base para a medida.
Segundo a administração municipal, a intervenção busca garantir a continuidade do serviço e promover uma avaliação aprofundada da execução do contrato de concessão. Durante o período, os interventores terão acesso às informações operacionais, documentos, garagens e demais estruturas necessárias para o funcionamento do sistema.
Nos bastidores políticos, a iniciativa é considerada um marco na relação entre o poder público e o transporte coletivo da Capital. O resultado da intervenção poderá definir desde a retomada da gestão pelo consórcio até medidas mais severas, incluindo eventual encerramento da concessão, caso sejam constatadas irregularidades ou descumprimentos contratuais que inviabilizem a continuidade do modelo atual.
A decisão também atende a uma série de cobranças da sociedade e de órgãos de fiscalização, que há anos apontam problemas recorrentes enfrentados diariamente pelos usuários do transporte coletivo em Campo Grande.







