Campo Grande, 22 de junho de 2026

Túmulo em MS expõe crime traiçoeiro de 1938 com nome do assassino na própria lápide

Logo na entrada do Cemitério Municipal de Porto Murtinho, na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, um túmulo simples guarda uma das histórias mais marcantes — e pouco lembradas — da cidade. Sem adornos ou monumentos, a sepultura chama atenção por um detalhe incomum: a lápide traz gravado o nome do assassino da vítima.

A sepultura pertence a Rubval Theodoro Júnior, morto aos 16 anos, em 29 de novembro de 1938. Sobre a lápide, a mensagem mandada gravar pela família não deixa dúvidas sobre o teor da morte:

“Aqui jaz os restos mortais do jovem Rubval Theodoro Júnior, nascido a 28 de junho de 1922, assassinado traiçoeiramente por Sebastião Franco da Rocha, no dia 29 de novembro de 1938.
Seus pais e irmãos lhe dedicam esta lembrança.”

A inscrição é direta, dura e rara na história brasileira, já que lápides geralmente preservam homenagens, não acusações. No caso de Rubval, a família fez questão de eternizar o nome do assassino, como forma de memória e denúncia.

Memória quase apagada pelo tempo

Mesmo após quase oito décadas de sol, chuva e enchentes que marcaram Porto Murtinho, o túmulo permanece surpreendentemente conservado. Porém, ao contrário da estrutura, a história que lhe deu origem foi se perdendo.

Hoje, moradores mais antigos da cidade — alguns, quase centenários — afirmam nunca ter ouvido falar de Rubval ou de seu algoz, Sebastião Franco da Rocha. Há pouquíssimos registros oficiais sobre o caso, e não se sabe se o assassino chegou a ser preso ou julgado.

Uma história que resiste na pedra

A lápide segue de pé, silenciosa, mas contando — sem precisar de testemunhas — o que ficou marcado para sempre na dor da família.

Mais do que um túmulo, é um protesto esculpido em pedra.
Um lembrete de que, em 1938, um jovem de 16 anos teve sua vida interrompida de forma que sua família considerou imperdoável — e decidiu que o mundo jamais esqueceria o nome do culpado.

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